quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Priorado de Sião

Esta secção inicia-se com o esclarecimento de que a organização que aqui se chama Priorado de Sião, é a organização francesa de seu nome original Prieuré de Sion, ou como também tem sido frequentemente chamada nos meios da lusofonia brasileira, Monastério de Sião.
Antes de percorrer os complicados passos da ideologia de Plantard e do seu Priorado, convém obter um pouco de perspectiva, e procurar vislumbrar um panorama global deste fenómeno. As questões são tantas, que é difícil saber por onde começar... O que é o Priorado de Sião? Porquê este nome? Como foi criado? Onde foram os fundadores do Priorado buscar as suas ideias? Que quer o Priorado? As suas ambições são legítimas? Quem faz parte do Priorado? Quais são as suas actividades correntes?
Após obtida alguma perspectiva com a leitura de respostas sucintas a estas questões, serão analisados os assuntos e os factos cruciais para a compreensão desta organização, bem como para a compreensão do seu envolvimento no mistério de Rennes, e da sua responsabilidade na criação desta verdadeira mitologia moderna. No final, daremo-nos melhor conta do esforço e da erudição que foi necessária para a construção deste impressionante puzzle surrealista de mentiras e meias verdades.

Antes de entrar imediatamente no assunto, vejamos algumas questões-chave:

O que é o Priorado de Sião?
É uma falsa questão, visto que o Priorado de Sião já foi muitas coisas nas mãos do seu criador Pierre Plantard. Hoje em dia, admiradores franceses, britânicos e americanos de Pierre Plantard pertencem a neo-Priorados, cuja legitimidade é já nula porque não foram criados pela vontade do fundador Pierre Plantard.

Como começou o Priorado de Sião?
Começou como uma associação declarada legalmente (de acordo com a lei francesa de 1901) a 20 de Julho de 1956. O pedido de autorização de constituição foi efectuado a 7 de Maio de 1956, na Sub-Prefeitura de Polícia de Saint-Julien-en-Genevois (Alta Sabóia), mediante uma carta assinada pelos quatro fundadores: Pierre Plantard, André Bonhomme, Jean Deleaval e Armand Defago. A sede social estava estabelecida na casa de Plantard, em Sous-Cassan, Annemasse, na Alta Sabóia. O texto de constituição, conforme consta no Journal Officiel, número 167, segundo Pierre Jarnac, é o seguinte: "25 juin 1956. Déclaration à la sous-préfecture de Saint-Julien-en-Genevois. Prieuré de Sion. But: études et entr'aide des membres. Siège social: Sous-Cassan, Annemasse (Haute-Savoie).". O objecto era: "La constitution d'un ordre catholique, destiné à restituer sous une forme moderne, en lui conservant sont caractère traditionaliste, l'antique chevalier, qui fut, par son action, la promotrice d'un idéal hautement moralisateur et élément d'une amélioration constante des règles de vie de la personnalité humaine", ou seja, "A constituição de uma ordem católica, destinada a restituir numa forma moderna, conservando o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizante e elemento de um melhoramento constante das regras de vida da personalidade humana".

Porquê este nome?
Plantard era um admirador incondicional de Paul Lecour, o fundador da revista Atlantis. Em vários artigos, Lecour tinha tentado incentivar a juventude cristã francesa a recuperar os ideais da cavalaria, sugerindo que se criassem grupos aos quais ele dava o nome de "Prieurés", ou "priorados". Plantard seguiu esta sugestão! O nome "Sion" (ou "Sião") foi escolhido devido à proximidade geográfica da casa de Plantard em Sous-Cassan (Annemasse) com a colina de Mont-Sion. Pierre Plantard, a partir de 1960, desviou a postura originalmente política do Priorado para uma postura mais mítica e mística, muito provavelmente numa iniciativa solitária e independente dos fundadores originais do Priorado. É a partir desta altura que ele começa a propagar que o Priorado teria tido origem em Jerusalém no século XI (1099). Ora em Jerusalém existe o monte Sião, o que ajudou à mistificação de Plantard. Contudo, a sede do Priorado foi sempre na casa do próprio Plantard, onde ele morava com a mãe, o que evidencia a dimensão reduzidíssima, e por vezes puramente "solista" desta organização, que nunca teve um número relevante de membros para além de Plantard, e de alguns amigos, como Phillipe de Chérisey e André Bonhomme (este último apenas no Priorado original, até 1960 - André Bonhomme não participou na versão mítico-mística do Priorado pós-1960).

Qual é o significado do sub-título C.I.R.C.U.I.T.?
Chevalerie d'Institution et Règle Catholique & d'Union Indépendante Traditionaliste. Ou "Cavalaria de Instituição e Regra Católica e de União Independente Tradicionalista". "CIRCUIT" era também o nome da publicação panfletária original do Priorado de Sião, editada em Annemasse, cujo primeiro número data de 27 de Maio de 1956.

Onde foi Pierre Plantard desencantar as ideias para o Priorado pós-1960?
Estas ideias não eram novas, e têm origem numa série de movimentos de renovação espiritual cristã que surgiram no final do século XIX em França. Mais concretamente, falamos do Hiéron du Val d'Or, criado em Paray-le-Monial. Adicionalmente, o Priorado retirou ideias de outros movimentos, como o da revista "Atlantis", fundada pelo esoterista Paul Lecour. Mas o elemento mais importante está no reaproveitamento que Plantard faz, a partir dos anos 60, e juntamente com Chérisey e o jornalista Gérard de Sède, do enigma de Rennes-le-Château.

Que quis Pierre Plantard com este Priorado?
Ele tentou propagar em França os ideais de restauração de uma monarquia tradicionalista, apresentando-se como herdeiro merovíngio à coroa francesa. Pierre Plantard defendia que o Priorado existia desde o século XI e que tinha protegido desde então uma linhagem dinástica proveniente da primeira dinastia francesa, a dinastia dos Merovíngios. Assim, o Priorado pretendia conseguir legitimar uma monarquia em França baseando-a num representante altamente simbólico porque merovíngio. Esse representante seria, claro, o próprio senhor Plantard, que a dada altura passou a intitular-se "Pierre Plantard de Saint-Clair", tendo-se sempre outorgado uma linhagem aristocrática incólume.

As suas ambições são legítimas?
Tudo indica que não. Não só não se conhece um representante da dinastia merovíngia em França, como a maioria dos franceses não está inclinada na direcção de nenhuma monarquia, Orleães ou Saint-Clair que seja! O Priorado de Sião tem como criador Pierre Plantard. Plantard forjou uma tabela fraudulenta de Grão-Mestres (listados desde o século XII), que inseriu nos Dossiers Secrets atribuídos a um pseudo-Lobineau, depositados na Biblioteca Nacional, em Paris, a 27 de Abril de 1967. Essa lista de grão-mestres foi montada com base em material proveniente de propaganda AMORC (pseudo-rosacruz) do século XIX, sendo que a versão da Biblioteca Nacional apenas traz de novo o nome de Jean Cocteau, que foi adicionado por sugestão de Phillipe de Chérisey, amigo de longa data e colaborador de Plantard, que tinha uma apetência especial pelos surrealistas, dos quais Jean Cocteau era uma figura de proa.

Porque recorreram eles ao enigma de Rennes-le-Château?
Rennes-le-Château era a opção óbvia nos anos sessenta. Plantard e Chérisey, juntamente com o sócio de ambos, Gérard de Sède, fizeram uma primeira tentativa usando o mistério de Gisors, um pequena lenda de tesouros, tentando transformá-la no epicentro do drama da dinastia merovíngia. A tentativa teve pouco sucesso. Recordemos que durante os anos cinquenta e sessenta, Rennes-le-Château, graças às iniciativas propagandísticas de Noël Corbu, crescera em turismo e em visitantes, que procuravam a todo o custo o tesouro escondido pelo "padre dos milhões". Plantard e os seus amigos ouviram falar desta fabulosa história de tesouros, e quando inventaram os famosos pergaminhos com os quais pretendiam legitimar o Priorado de Sião, colocaram o padre Saunière como o "achador" destes pergaminhos durante as obras de restauro que este empreendeu em Rennes no final do século XIX.

Que problema teve Plantard com a Justiça Francesa em 1993?
O problema nasceu uns anos antes, em 1989, ano em que Plantard divulga uma "circular" do Priorado de Sião, na qual ele dava conta da resignação de Roger-Patrice Pelat do cargo de Grão-Mestre do Priorado. Em 1989, o caso passou despercebido, apenas agitando os diminutos meios esotéricos franceses. Contudo, em 1993, com a eclosão do escândalo financeiro envolvendo Roger-Patrice Pelat, o seu nome saltou para a actualidade política e judicial francesa. O então primeiro-ministro francês Pierre Bérégovoy recebera, em 1986, um empréstimo de um milhão de francos livre de juros de Roger-Patrice Pelat para a compra de um apartamento em Paris. A 1 de Maio de 1993, Bérégovoy foi encontrado morto num canal em Nevers, aparentemente tendo cometido suicídio. A Justiça Francesa, pela mão do juíz Thierry Jean-Pierre, conduziu um processo investigativo em torno deste escândalo. No desenrolar do processo, o juiz Jean-Pierre deparou-se acidentalmente com a "circular" de Pierre Plantard de 1989, que mencionava o seu arguido como tendo sido Grão-Mestre de uma organização intitulada Priorado de Sião. Evidentemente que Plantard mentia, e o juiz Jean-Pierre terá ficado estupefacto ao deparar-se com semelhante afirmação, que aparentemente envolvia o polémico arguido Pelat. Em Setembro desse ano, o juiz ordena a detenção e interrogatório de Pierre Plantard: após algumas horas, este confessa à Justiça ter inventado tudo acerca do Priorado de Sião. Uma busca à casa de Plantard revelou um imenso arquivo de documentação forjada durante uma vida inteira. Plantard foi considerado pelo Tribunal como um "mitómano inofensivo". O caso correu a imprensa francesa. Plantard recebeu uma ordem do Tribunal para parar imediatamente com a mitomania e com a propagação da sua farsa. Gravemente abalado com todo este processo, Plantard retirou-se pouco depois para o anonimato, tendo vivido practicamente incógnito, entre Barcelona, Perpignan e Paris, até à sua morte em Fevereiro de 2000.

Quem faz parte do Priorado?
Convém lembrar que, desde a morte de Plantard em 2000, o Priorado original cessou de existir (porque dependia directamente do fundador Plantard). Os novos "Priorados" de hoje recolhem os lucros do trabalho activo de desinformação de Pierre Plantard. Sempre existiram rumores, certamente infundados, de que o Priorado contou nas suas fileiras com personalidades como Roland Dumas (ex-presidente do Tribunal Constitucional francês), François Miterrand (que de facto chegou a fazer uma visita oficial a um lugarejo inóspito no sul de França, chamado Rennes-le-Château), e até Jacques Chirac. A verdade sobre os membros do Priorado e o mito sobre a sua influência na sociedade, tanto do Priorado original como das suas novas versões, deverá, contudo, ser bastante diferente e mais decepcionante.

Quais são as actividades correntes do Priorado de Sião?
Após a morte de Plantard em 2000, surgiram vários movimentos que se intitulam Prieuré de Sion, ou Priory of Sion. Em França, o actual grão-mestre é desconhecido. Fala-se em Thomas Plantard, filho de Pierre Plantard, mas esta tese não é credível. Uma das figuras mais visíveis, que se intitula "secretário" do Priorado actual, chama-se Gino Sandri e é membro de uma associação sindical francesa. São três os países de acção destes novos "Priorados": a França (onde nasceu a ideia com Plantard), a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América. Como qualquer outro grupo que ambiciona poder e notoriedade, estes "Priorados" tentam recolher para as suas fileiras personagens com influência política ou económica na sociedade que apresentem uma forte vontade de se associarem para melhor beneficiarem de trocas de favores e protecção. Mas o sucesso destes Priorados em tornarem-se grupos de pressão com significância é muito reduzido, como se constata pelos seus próprios resultados: estes movimentos conseguiram sobretudo ser os detentores da propriedade intelectual de uma excessivamente popular farsa histórica. Concluindo, o poder efectivo do que se costuma chamar Priorado de Sião é temido e respeitado por hordas de leitores impressionáveis, que nem supõem que estão a falar de movimentos distintos e em oposição entre eles, cada qual lutando pela "autenticidade" de ser o "verdadeiro" Priorado de Sião. A mensagem deturpada de Rennes, essa, não parar de crescer: hoje em dia existem centenas de livros, filmes, documentários e mesmo jogos de computador baseados na versão adulterada pelo Priorado da história de Rennes e do seu padre Saunière. A face mais visível desta propagação da farsa está materializada no livro O Código da Vinci, da autoria de Dan Brown.

Quem é este Gino Sandri, suposto actual "secretário" do Priorado de Sião pós-Plantard?
O seu nome e fotografia constam da página de contactos do site do SNFOCOS, SYNDICAT NATIONAL FORCE OUVRIERE DES CADRES DES ORGANISMES SOCIAUX, uma união sindical fundada em 1938 com sede social em Paris. A função de Gino Sandri nesta união sindical está indicada no site: "Secrétaire National chargé des Caisses nationales". Nos seus tempos livres, Sandri brinca ao pseudo-esoterismo, dando entrevistas em sites sobre Rennes-le-Château e outros temas relacionados, apresentando-se como "secretário" do Priorado de Sião.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Maçonaria: Sociedade secreta ou Filosofia de vida?

Matéria publicada originalmente na Revista Sociedades secretas especial - SuperInteressante

Mistérios elucidados sobre os maçons

Entramos num templo maçom, bisbilhotamos cada canto e comprovamos: a sociedade secreta já não é tão secreta assim - mas continua uma das mais influentes do mundo

por Texto Eduardo Szklarz, de Buenos Aires

A maçonaria já foi acusada de tudo: fazer rituais sinistros, promover orgias, querer dominar o mundo... Até de estar por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador. Muita gente acredita que a organização controla governos e que seus integrantes usam cargos públicos para se ajudar mutuamente. Os maçons, no entanto, garantem que quase tudo isso é besteira. Eles não passariam de um grupo filosófico, filantrópico e progressista. Reconhecem que ajudam uns aos outros, mas que o dever de auxiliar um irmão está sempre sujeito à obrigação maior de cumprir a lei. Afinal, qual é a verdade sobre essa sociedade secreta?

Para começar, a maçonaria não é tão secreta assim. Em vários países, inclusive no Brasil, todo mundo sabe onde ficam as lojas maçônicas e quem são seus membros. Maçons publicam revistas e divulgam suas idéias em sites da internet. E, se antes mantinham seus templos imersos numa aura de mistério, hoje permitem visitas. Nossa reportagem entrou no templo da Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, situada na rua Perón, 1242, em Buenos Aires. Durante 3 horas, conversamos com diversos integrantes da maçonaria – e muitos nos entregaram cartões em que se identificavam como membros da ordem.

A julgar por iniciativas desse tipo, parece que a organização nunca foi tão aberta como hoje. Será que o grande segredo da maçonaria é não ter segredo algum, como dizem alguns irmãos? Pode ser. Mas o certo é que eles ainda mantêm sessões a portas fechadas. Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Grande Loja da Argentina, tem uma explicação para isso. “A maçonaria não é secreta, mas discreta. As cerimônias que realizamos aqui só interessam a nós, são reservadas aos iniciados.” Para Clavero, é exatamente o que ocorre em qualquer reunião, seja de condomínio ou da diretoria de uma multinacional. “Se você não é dono de um apartamento no prédio ou diretor da empresa, não vão deixá-lo entrar.

VÁRIAS MAÇONARIAS

O argumento do grão-mestre faz sentido. Por outro lado, diretores de empresas não costumam se reunir para debater filosofia, vestidos com aventais coloridos e rodeados de objetos simbólicos. Além disso, nem você nem seus vizinhos de apartamento precisam jurar segredo absoluto sobre o que foi discutido na reunião de condomínio. Na maçonaria, é assim que as coisas funcionam. Para entender os porquês disso tudo, o primeiro passo é levar em conta que não existe uma só, mas várias maçonarias.

A organização é uma rede global, hoje composta de cerca de 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Os rituais variam muito, de um país para outro. Cada loja tem autonomia, mesmo que pertença a uma federação nacional ou continental. Algumas usam a Bíblia em suas reuniões. Outras, a Torá ou o Alcorão. Essa diversidade permite que os símbolos maçônicos tenham várias interpretações. E foi graças a ela que personalidades extraordinariamente distintas já vestiram o avental da irmandade: de Mozart a dom Pedro 1º, de Winston Churchill a Hugo Chávez (leia mais no quadro das págs. 14 e 15).

Mas as maçonarias também têm muito em comum. Todas elas, independentemente do país, defendem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Veneram o Grande Arquiteto do Universo – como se referem a Deus. E exigem requisitos dos iniciados, que, depois de passar por uma cerimônia de iniciação, vão galgando postos e acumulando mais e mais conhecimentos. Embora proíbam falar de política e religião dentro do templo, os maçons continuam tendo o poder e a influência de sempre. A mesma que eles usaram para orquestrar capítulos decisivos da história, como a independência do Brasil, dos EUA e de quase todos os países da América Latina.

A origem da maçonaria é um mistério até para os maçons. Uma das teorias diz que ela surgiu há cerca de 3 mil anos, durante a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. O rei israelita teria recrutado o arquiteto Hiram Abif, mestre na arte de talhar pedras, que ensinava os mistérios do ofício apenas a pedreiros escolhidos a dedo. No fim da obra, 3 artesãos exigiram que ele lhes contasse os segredos. Abif recusou-se e acabou sendo assassinado por isso.

O martírio do arquiteto jamais foi comprovado. Mesmo assim, significa muito para os maçons. Em The Meaning of Masonry (“O Significado da Maçonaria”, inédito no Brasil), o maçom britânico W.L. Wilmshurst interpreta a morte do mestre como um desastre moral para a humanidade – como se a chama do conhecimento tivesse sido apagada. “Agora, neste mundo escuro, ainda temos os 5 sentidos e a razão, que vão nos proporcionar os segredos substitutos”, escreve Wilmshurst. A maçonaria, portanto, seria um sistema filosófico que discute o Universo e nosso lugar dentro dele. Quanto mais o maçom sobe os degraus da confraria, mais perto ele chega da Luz – ou seja, o pensamento racional.

Outra tese afirma que os maçons são herdeiros dos templários, os cavaleiros que viajaram à Terra Santa no século 12 para defender os cristãos, mas acabaram perseguidos pela Igreja. E existe também quem defenda uma origem ainda mais remota, no Egito dos faraós ou na Grécia antiga. Para a maior parte dos historiadores , contudo, foi na Europa medieval que a maçonaria assentou suas bases. Ela teria começado na forma de sindicatos de pedreiros (masons, em inglês), que construíam monumentos para religiosos e monarcas – entre eles a Ponte de Londres e a Catedral de Westminster, também na capital da Inglaterra.

“Os pedreiros ingleses almoçavam e deixavam suas ferramentas em pequenas casas chamadas lodges [lojas]”, explica o jornalista americano H. Paul Jeffers no livro Freemasons (“Maçons”, sem tradução para o português). Assim como Abif, eles mantinham em segredo seus métodos de construção, pois eram a garantia de melhores salários.

Esses sindicatos floresceram até o século 16, quando os pedreiros tiveram uma surpresa. Abalada pela Reforma Protestante e pela rixa com o rei Henrique 8º, a Igreja parou de construir catedrais. Resultado: contratos para novas obras minguaram. “A maçonaria entrou em crise e sofreu uma grande mudança. Tudo que era ligado à prática do ofício na pedra passou a ser alegórico, e as ferramentas viraram símbolos na contemplação dos mistérios da vida”, diz Jeffers. A ordem deixou de ser “operativa” para ser “especulativa”. E as lojas maçônicas passaram a interpretar esses símbolos por meio de conceitos morais, éticos e filosóficos. A sociedade foi aberta a outros profissionais, como os cientistas, e deixou-se influenciar até pela alquimia.

Em 1717, 4 lojas de Londres se uniram na Grande Loja Unida da Inglaterra, que marcou o início da maçonaria atual. Em 1723, o maçom James Anderson compilou a tradição oral da irmandade numa constituição, cujos lemas eram ciência, justiça e trabalho. Quem não gostou de nada disso foi a Igreja, sentindo seu poder ameaçado por um grupo que rejeitava dogmas, aceitava seguidores de outras crenças e era contra a influência da religião na vida pública. Pior: discutia seus assuntos em segredo, o que só aumentava a desconfiança da Santa Sé. Em 1738, o papa Clemente 12 emitiu uma bula em que excomungava a maçonaria – ratificada em 1983 pelo cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16.

O tiro saiu pela culatra. Quanto mais a maçonaria era difamada, mais ela atraía revolucionários – entre eles, o libertador sul-americano Simon Bolívar e o herói da independência americana Benjamin Franklin. A Revolução Francesa também assumiu os valores maçônicos, mas não com a intensidade que muitos imaginam. “Do mesmo jeito que alguns revolucionários franceses eram maçons, como Jean-Paul Marat, alguns opositores da revolução também eram”, diz o historiador inglês Jasper Ridley no livro The Freemasons (“Os Maçons”, inédito no Brasil). No século 20, a Igreja continuaria no encalço da maçonaria.

CÓDIGOS SECRETOS

A história de perseguição explica por que os maçons desenvolveram códigos para se reconhecer no meio de outras pessoas. No aperto de mão, por exemplo, um tocaria com o indicador no pulso do outro. Ao se abraçar, eles colocariam um braço por cima, outro por baixo, em X, e bateriam 3 vezes nas costas. Mais uma forma de comunicação em lugares públicos seria ficar em posição ereta e com wos pés em forma de esquadro.

Em seus textos, os maçons abreviam as palavras usando 3 pontos em forma de delta. Exemplos: “Ir” é irmão, “Loj” é loja. Hoje, boa parte desses segredos já virou de domínio público. Tanto que o termo usado pelos maçons para se referir a Deus – Jahbulon, resultado da união dos nomes Javé, Baal e Osíris – aparece em quase 30 mil páginas na internet.

Para ingressar na maçonaria, é necessário ter ficha limpa, ser maior de idade e acreditar em um deus, seja ele qual for. O candidato precisa ser convidado por um maçom e só se torna aprendiz após ser aceito numa cerimônia de iniciação no templo, onde se compromete a não revelar o que escutar ali dentro.

“Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”, diz o grão-mestre argentino Jorge Clavero. “A maçonaria não é como um partido político, que fixa posições. Ela atua na sociedade por meio de seus homens, silenciosamente. O iniciado faz sua obra entre a família, os amigos e em seu local de trabalho.”

Degraus do conhecimento

No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas o de York prevalece no resto do mundo

RITO ESCOCÊS

1º grau - Aprendiz iniciado

2º grau - Companheiro de ofício

3º grau - Mestre maçom

4º grau - Mestre secreto

5º grau - Mestre perfeito

6º grau - Secretário íntimo

7º grau - Preboste e juiz

8º grau - Intendente dos edifícios

9º grau - Mestre eleito dos 9

10º grau - Mestre eleito dos 15

11º grau - Cavaleiro eleito dos 12

12º grau - Grão-mestre arquiteto

13º grau - Mestre do 9º arco

14º grau - Grão-eleito perfeito e sublime

15º grau - Cavaleiro do Oriente

16º grau - Príncipe de Jerusalém

17º grau - Cavaleiro do Oriente e do Ocidente

18º grau - Cavaleiro Rosacruz

19º grau - Grão-pontífice

20º grau - Mestre ad Vitam

21º grau - Patriarca noaquita

22º grau - Príncipe do Líbano

23º grau - Chefe do tabernáculo

24º grau - Príncipe do tabernáculo

25º grau - Cavaleiro da serpente de bronze

26º grau - Príncipe da mercê

27º grau - Comendador do templo

28º grau - Cavaleiro do Sol

29º grau - Cavaleiro de Santo André

30º grau - Cavaleiro kadosh

31º grau - Grão-inspetor inquisidor comendador

32º grau - Sublime príncipe do real segredo

33º grau - Soberano grão-inspetor geral

RITO DE YORK

Mestre de marca

Past master (virtual)

Mui excelente mestre

Maçom do real arco

Mestre real

Mestre eleito

Mestre superexcelente

Ordem da Cruz Vermelha

Ordem dos Cavaleiros de Malta

Ordem dos Cavaleiros Templários

Rumo ao topo da pirâmide

A escalada na hierarquia pode levar uma vida inteira

A estrutura da maçonaria tem a forma de duas escadas que começam e terminam juntas. O 1º passo do candidato é se tornar aprendiz. O 2º nível é o de companheiro de ofício e o 3º, de mestre maçom. Os 3 degraus iniciais são comuns ao rito escocês e ao de York. Depois disso, quem quiser subir na hierarquia deve escolher entre os dois sistemas ritualísticos. No escocês são 33 graus, enquanto o de York tem apenas 10. A história dos ritos também é diferente: para muitos estudiosos da maçonaria, o ritual escocês foi fundado na França por imigrantes que fugiam de perseguições. Já o de York surgiu na cidade inglesa de mesmo nome, onde teria sido aberta a primeira loja maçônica da Grã-Bretanha. No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas estima-se que 85% dos maçons em todo o mundo pratiquem o de York.Alguns personagens importantes da tradição maçônica aparecem sobre os degraus desta ilustração, publicada pela primeira na revista americana Life, em 1956. Entre eles, o rei Salomão (indicando o caminho na base do rito escocês), que construiu o 1º Templo de Jerusalém, e George Washington (no 20º grau do mesmo rito, mestre ad Vitam), primeiro presidente dos EUA. Sob o arco estão as organizações irmãs da maçonaria. Mestres maçons são aceitos na Grotto e na Altos Cedros do Líbano. Meninas que têm um maçom na família podem ingressar na Filhas de Jó ou na Ordem das Garotas do Arco-Íris; mulheres, na Estrela do Oriente; e rapazes, na DeMolay. Apenas maçons de grau 32 e Cavaleiros Templários podem entrar para o Shrine. E a mulher de um Shrine pode ser uma Filha do Nilo.

Até na lua!

De presidente a astronauta, maçons que entraram para a história

GEORGE WASHINGTON - 1732-1799

Foi o primeiro e único a exercer ao mesmo tempo os cargos de mestre de uma loja e presidente dos EUA. Um terço dos presidentes americanos foram da maçonaria.

AMADEUS MOZART - 1756-1791

Um dos maiores compositores de todos os tempos, ingressou na maçonaria a convite de Joseph Haydn, outro gênio da música, membro de uma loja em Viena.

DOM PEDRO 1º - 1798-1834

Chegou ao posto de grão-mestre no Brasil. Deixou a maçonaria assim que foi declarado imperador e proibiu os trabalhos da organização no país, temendo que seu poder fosse contestado.

WINSTON CHURCHILL - 1874-1965

Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi iniciado em 1901, aos 26 anos de idade, na loja maçônica Studholme, em Londres, quando já era parlamentar.

HUGO CHÁVEZ - 1954-

Iniciado por um guarda-costas, segue os passos de outros maçons históricos que ele adora citar em discursos, entre eles: Simon Bolívar, José Martí e San Martín.

NEIL ARMSTRONG - 1930-

O primeiro homem a pisar na Lua era maçom. Ele teria vestido seu avental sobre o traje lunar durante a missão da Apolo 11, mas não há provas de que isso realmente tenha acontecido.

Para saber mais

• Freemasons

H. Paul Jeffers, Kensington Publishing, 2005 (em inglês).

Por dentro do templo maçônico

Um passeio pela Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, com explicação para tudo que você veria lá dentro

• ALTAR

Corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do antigo Templo de Jerusalém. A poltrona central é usada apenas pelo venerável-mestre, que conduz os rituais.

• COMPASSO E ESQUADRO

Remetem ao tempo em que os maçons eram pedreiros. Por desenhar círculos perfeitos, o compasso representa a busca da perfeição. Já o ângulo reto do esquadro sugere honestidade. A letra “G” vem de God – “Deus” em inglês.

• SOL E CÉU AZUL

São vários os significados atribuídos ao Sol na maçonaria. Rente ao teto do templo, ele pode ser interpretado como conhecimento e esclarecimento mental ou intelectual. O céu azul simboliza a natureza e o Universo.

• CIÊNCIA, JUSTIÇA E TRABALHO

Os 3 adultos à esquerda, neste quadro do italiano Enrique Fabris, representam a ciência (ancião com a tocha da razão), a justiça (mãe carregando o filho) e o trabalho (homem vigoroso com ferramentas). A esfinge central refere-se à sociedade iniciática e o longo caminho a ser seguido pelo homem na busca do conhecimento. O Sol simboliza a natureza, presente em seus 4 elementos: água, fogo, ar e terra. Deles, apenas a água não pode ser dominada pelo homem – daí o mar revolto no quadro.

• AVENTAL

Símbolo de trabalho, ele protege o maçom e indica seu grau (na foto, Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Loja Argentina de Maçons Livres e Aceitos). As luvas, sempre brancas, significam pureza, retidão moral e igualdade.

• ESTRELA DO ORIENTE

Com 5 pontas, ela simboliza o homem em seus 5 aspectos – físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual. Ao fundo, observa-se a pirâmide com o olho que tudo vê, uma alusão a Deus.

• PISO XADREZ

Representa povos do mundo unidos pela maçonaria. Os triângulos e quadrados simbolizam a harmonia que pode existir na diversidade. Também sintetizam os contrários: Bem e Mal, corpo e espírito.

Illuminati: Os soldados da nova ordem

INWO: Illuminati, The New World Order

Illuminati: A nova ordem Mundial

Cartas de INWO

O jogo foi lançado por Steve Jackson em 1995, relatando fatos que aconteceriam somente em 2001.
  1. Rewriting History
  2. Terrorist Nuke
  3. Pentagon
  4. Disasters Combined
  5. Population Reduction
  6. Yacatisma

Rewriting History (Reescrevendo a História)
Esta carta afirma que os Illuminati têm transformado toda a verdade em mentira, usando subterfúgios para esconder o que pode ser perigoso a eles.

Terrorist Nuke (Ataque Terrorista)
Esta carta reprensenta um desenho das torres gêmeas sendo atacadas. Observe que a explosão está no mesmo lugar que ocorreu realmente e note que o jogo foi lançado em 1995, relatando um acontecimento de 2001.

Pentagon (Pentágono)
Esta carta é um desenho do pentágono em chamas a partir do centro, fato que também aconteceu em 2001.

Disasters Combined (Desastres Combinados ou Combinação de Desastres)
Esta carta retrata bem o que estamos vivendo no mundo atual. Terremotos, Tsunamis, Furacões, Queda de aviões.

Population Reduction (Redução da População)
Esta carta mostra um dos planos Illuminati que ainda não foram concluídos.

Yacatisma
Esta carta mostra o desenho de naves espaciais armadas com grandes navalhas, atravessando o Empire State. Um plano que ainda não saiu do papel.

Introdução

De hoje em diante postarei aqui tudo sobre sociedades secretas, desde seu surgimento até suas práticas, trazendo conteúdo diversificado, a fim de mostrar de uma vez por todas tudo sobre esse assunto.